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Uma reflexão sobre as Referências do MEc e contribuições do grupo universoRP

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O grupo universoRP se reuniu na última sexta-feira, dia 02 de outubro, como sempre faz mensalmente, para discutir assuntos de interesse da atividade e da profissão associados ao mercado de trabalho. E sem dúvida nenhuma, não poderia deixar de avaliar o assunto em pauta sobre a decisão do MEC em transformar as habilitações da área de comunicação social em cursos específicos e a maneira como vem desenvolvendo esse processo.

Na opinião do grupo, as mudanças propostas pelo MEC são definitivas e por isso a comunidade de Relações Públicas precisa atuar de forma efetiva para orientar as conclusões do MEC a fim de posicionar a atividade e a profissão de forma correta para que não haja nenhum prejuízo para os profissionais habilitados.

O grupo entende que o momento atual é propicio para reposicionamento das profissões e que a proposta do MEC pode ser uma evolução positiva para a área de Relações Públicas. Entretanto, é necessário que esse processo seja conduzido de maneira criteriosa para que não traga prejuízos para a atividade, mas sim, represente uma ação positiva conjunta e proporcione benefícios a todos.

A tendência do mercado, irreversível, é de abrir todas as áreas de comunicação para a atuação geral dos profissionais, como já ocorreu com a publicidade e o marketing, como vem ocorrendo nos últimos anos com Relações Públicas e recentemente com o jornalismo, com a desobrigação do diploma. No entanto, para reforçar a atividade, além de orientar o processo de forma correta, é necessário também protegê-la. Devemos tomar cuidado para não abrir, mais uma vez, flancos para que outras áreas assumam posições e exclusividades que são, por direito e de fato, de Relações Públicas.

O grupo universorp entende que essa abertura, inevitável, precisa ser bem conduzida para não extrapolar direitos e nem favorecer interesses específicos que não se coadunem com os interesses da área e as reais tendências do mercado.

Por exemplo, o MEC precisa levar em conta e respeitar a condição da área de Relações Públicas como profissão regulamentada. Não é possível tomar decisões que contrariem o que determina a lei. Por outro lado, o Conselho precisa retomar a discussão da lei 5.377 e sua modificação. É ela que determinará as condições de como essa mudança deve ser processada.

Por tudo isso, o grupo universoRP busca se manifestar de maneira ponderada para, antes de mais nada, alertar e orientar todos os que podem voluntária ou involuntariamente se deixar levar pelas atraentes falácias da comunicação e inteligentes estratégias que podem, no futuro, se revelarem danosas para a atividade de Relações Públicas e seus profissionais.

Somos favoráveis às mudanças que representem uma evolução para a área de Relações Públicas, pois é imperioso sair do ostracismo voluntário a que os próprios profissionais se impuseram. Por isso, o grupo universoRP convida todos os profissionais a assumirem posicionamento claro e forte nesse processo, levando em conta o que queremos para nossa atividade e profissão no futuro.

Para conhecimento e reflexão, o grupo apresenta seu posicionamento para cada item específico da proposta do curso de Relações Públicas apresentado em consulta pública pelo MEC.


Na Denominação do Curso deve ser mantida a denominação de Relações Públicas. Esse termo é completo, abrangente e suficiente para a atividade e a profissão. Qualquer outra definição causa distorção do tipo de atividade e ajuda a definição de posicionamentos contrários aos interesses de nossa profissão. O problema não está na denominação, mas sim na interpretação e conceito desenvolvido pelo mercado. E exatamente por isso, apresento minhas considerações e sugestões nos tópicos seguintes.

No Perfil do Egresso, do ponto de vista institucional, o texto está excelente, mas falta especificar ação e identificar os nomes dos públicos, em especial a imprensa. A imprensa é um dos principais públicos das organizações e da ação de Relações Públicas. Por lógica, um dos mais importantes para o composto da atividade. Porque não especificar os públicos no trecho "gestão de relacionamento das organizações com seus públicos..." e incluir "e com a imprensa em geral". Se não contiver isso, poderá se caracterizar a exclusividade da atividade para o jornalismo, o que não é correto, pois a ação da empresa com a imprensa é historicamente uma atividade de Relações Públicas e não do jornalismo. Essa alteração é imprescindível para a correta definição do perfil.

Em Temas Abordados na Formação falta o item "Técnicas de Comunicação e Relacionamento com a Imprensa em todas as suas áreas e níveis, inclusive com internet e novas mídias".

Em Áreas de Atuação faltou especificar níveis de atuação e cargos. Faltou incluir que "o bacharel de Relações Públicas pode atuar em todas essas áreas nos níveis de consultor, assessor, gerente e diretor, sendo responsável pelo planejamento estratégico da comunicação em todas as suas áreas de atividades, determinando e orientando as políticas e ações de Relações Públicas". Sem isso, a ocupação de Relações Públicas fica demasiadamente solta e sem o devido respaldo técnico e prático da realidade do mercado.

Infra-estrutura recomendada - deve-se acrescentar, além de Laboratório de Pesquisa em comunicação, também Pesquisa de Opinião, de Satisfação e de Clima Organizacional. Sem isso, o escopo de pesquisa não fica completo.

 

Essas observações já foram registradas pelos integrantes do grupo universoRP ao MEC via o portal de sugestões para as referências do Curso de Relações Públicas.

  
Veja agora, alguns depoimentos de integrantes do grupo universoRP:

 

“Não podemos permitir que o MEC tome decisões baseadas somente em uma versão ou numa análise parcial do que são as Relações Públicas e o que está acontecendo com ela no mercado. Devemos esclarecer e posicionar o MEC sobre a real situação em todos os níveis para que ele possa tomar decisões corretas e justas. A proposta apresentada pelo MEC de transformar habilitação em curso atende estratégias que podem alinhar Relações Públicas e Jornalismo. Por isso, temos que solicitar a voz ativa e participativa dos órgãos de Relações Públicas. A melhor e única atitude para os relações-públicas é a de se engajarem nesse movimento e unirem forças para determinar os rumos de Relações Públicas para o futuro”.

João Alberto Ianhez


“Lamento porque não fomos envolvidos e nem consultados no primeiro momento, pois somos muitos e agora não me sinto a vontade de referendar uma ementa acadêmica que norteará a profissão de Relações Públicas. A hora é de mostrar a verdadeira razão de ser de Relações Públicas no contexto da comunicação organizacional, ou seja, é o momento de mostrar definitivamente como RP pode atuar e contribuir com as organizações e a sociedade de maneira geral. Muito mais que assessoria de imprensa, temos "todos" os outros relacionamentos, todas as outras atribuições que devem ficar claras na ementa. Não podemos perder a oportunidade de inserir a nossa profissão de modo correto nesse novo contexto”.

Backer Fernandes


“ Em minha opinião, o nome Relações Públicas deve permanecer. Precisamos sim reforçá-lo nesse momento para que fique claro que se trata de um espaço do profissional de RP e não de profissionais de outras áreas. Recomendo, no entanto, detalhar / especificar, nas definições apresentadas pelo MEC, os públicos de interesse, inclusive, a imprensa que é um público prioritário de Relações Públicas. Também incluiria nesse rol a propaganda institucional. É lamentável a ausência das entidades representativas da categoria e dos profissionais de RP nesse processo de transformação. Por isso, entendo que não podemos deixar de nos manifestar e apresentar o nosso posicionamento a respeito”.

Yara Moraes

 

 “O curso deve manter o nome Relações Públicas. Comunicação é meio e não atividade fim e Relações Públicas visam algo muito mais completo e complexo. Ela utiliza a comunicação como meio para atingir sua função e filosofia organizacional. Concordo com a inclusão da imprensa e acho relevante a sugestão de nomear os públicos de relacionamento. Também considero um absurdo não considerarem os órgãos representativos da atividade e da profissão. Afinal, o Conselho e as Associações representam a atividade, a profissão e o profissional.

Simone Bambini

 

“Já perdemos muito espaço e concordo que não devemos, mais uma vez, ficarmos no limbo. Acho, como profissional, que devemos continuar com o nome Relações Públicas. Na verdade, penso que o Curso deveria ser Comunicação Social - 4 anos - e um quinto ano de especialização em qualquer uma das áreas, pois o profissional deve ser antes de tudo um comunicólogo. Isso me parece utópico, mas é meu desejo. No mais, essas "mudanças" não me parecem mudanças, as grades continuam as mesmas, as disciplinas gerais e específicas também. Talvez queiram fortalecer alguma coisa, não sei ........”

Isabel Rodrigues



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