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A comunicação interna da minha casa

Postado em: 10/02/2011 por Flávio Schmidt
 
Está na moda esse negócio de perfil, estilo, tendência, modelo de comunicação interna.
  
Aquelas coisas como variação de técnicas de jornalismo com veículos internos e recursos humanos com formação e treinamento. Adoção de visão mercadológica, dando caráter de endomarketing ou endocomunicação, buscando o estímulo pela troca e a promoção do compre mais e pague menos. Estou esperando os publicitários aparecerem para criar o apelo emocional e impor por meio da catarse o desejo de que todos sejam felizes ou a idéia de que todos já são felizes. Afinal somos uma família. Vocês são as nossas pessoas, que formam a nossa empresa e a tornam digna de nossos valores.
 
Com tantas e incríveis variações e extravagantes técnicas de comunicação interna, pensei que, como um profissional de relações públicas competente, poderia estabelecer um processo de comunicação interna lá em casa. Como meu apartamento é muito grande, a primeira coisa que fiz foi instalar um sistema de viva-voz. Um aparelho em cada ambiente, onde, de cada um deles, você pode mandar uma mensagem em viva-voz. Genial, não?
 
Hoje, não é raro ouvir uma sonora voz: “papai, onde está você?”
 
Tentei, há um tempo atrás, instalar um quadro de avisos, daqueles brancos magnetizados, superadvanced. Idéia frontalmente rejeitada. Meu filho de cara respondeu: quem vai cuidar disso? Pra quê? Servirá somente para afixar aquelas receitas extravagantes de algum prato diferente. E minha mulher retrucou: porque? você está querendo dizer que eu vou tomar conta do quadro. Eu não. Não vou nem passar perto. E o meu filho mais novo reivindicou: Pai, quando você for instalar, coloca ele mais baixo pra eu poder colar minhas figurinhas?
 
Tentei de todas as maneiras convencê-los de que um bom plano de comunicação interna, estruturado com alguns meios de redes sociais poderia ser a solução dos nossos desencontros, de nossos problemas de comunicação. Sem sucesso, todos disseram que: “nossa comunicação interna é o relacionamento, papai!!” “Esquece essa idéia de plano, de veiculo, de MSN familiar...” “Aqui é olho no olho, viu!” O meu filho mais velho arrematou dizendo: “que saco esse negócio de relações púbicas, hein pai!?”
 
É importante sempre lembrar que em comunicação interna a informação acontece, em primeiro lugar, por meio das pessoas e a estrutura dos meios e veículos de comunicação funciona como reforço, complemento. Isso quando eles são possíveis e necessários. Senão você terá que administrar os mesmos problemas que enfrentei lá em casa.
 
Além disso, a comunicação interna deve ser funcional em todos os departamentos e envolver cada um dos funcionários tornando-os engajados pelo comprometimento, garantindo o sucesso do processo.
 
A única coisa que funcionou bem lá em casa, foi o sistema de viva-voz. Meu filho, outro dia mandou o seguinte: “se a Silvinha ligar pra mim digam que não estou em casa”. E deixou o John Mayer cantando para todos ouvirem, enquanto tomava banho.
 
Se a comunicação interna for implementada dessa forma, é inevitável que a informação chegue ao seu destino de forma ágil, com clareza e objetividade e de forma eficiente, evitando defeitos de interpretação, situações de conflito, gerando compreensão e aceitação por parte de todos.
 
A comunicação processada por meio do relacionamento é muito mais eficaz.
 
Quando meus filhos eram pequenos, na maioria das vezes eu falava e eles ouviam. Eu determinava uma orientação e eles seguiam. É claro que predominava o respeito e o direito de cada um de se manifestar. Mas existia uma ordem natural familiar, na qual predominava uma orientação hierárquica. Esse período durou o tempo suficiente para que cada um deles pudesse entender que ali predominava a liberdade, com respeito, mas livre de imposições e mensagens que não serviam para eles.
 
Também houve um tempo em que eles tentaram inverter o sentido da orientação hierárquica fazendo com que as decisões e os direitos acontecessem de baixo para cima. Esse modelo prevaleceu por um período, até que eles entenderam que também não servia. Que existiam muitas questões que não podiam ser decididas por imposição de uma das partes e que deveriam ser resolvidas sem pressão de cima ou de baixo.
 
O melhor momento foi quando as decisões eram tomadas em conjunto, ponderadas, refletidas e decididas pelo consenso inteligente.
 
Cheguei da rua outro dia com uma história nova e logo fui anunciar no viva-voz. Minha mulher respondeu pelo sistema: “filhos, o papai chegou”.
 
Lá em casa a comunicação interna se processa pelo relacionamento, às vezes até de modo ruidoso, alterado, mas sempre, sempre pelo relacionamento.
 
Desisti da idéia do plano de relações públicas para a minha comunicação interna lá em casa.
 
Quem sabe vc poderia iniciar o seu dia amanhã fazendo uma avaliação com os seus colegas de trabalho. Perguntando a eles como é e como funciona a comunicação interna na casa deles.
 
Pergunte quais são os veículos que eles adotam para se comunicar. Se eles falam entre si pelo MSN? Ou quem é o responsável pelo mural da ante-sala?
 
Não tenho dúvidas, o modelo que eles disserem que adotam será o modelo que você deverá adotar para a comunicação interna de sua empresa.
 
Que tal? Depois me conte o resultado.
 

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