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Paulo de Tarso – um Profissional de Relações Públicas dedicado à excelência do Turismo.

Postado em: 19/12/2008 por Flávio Schmidt

Conheço Paulo de Tarso há muito tempo e já sabia desde então de sua expertise na área, afinal já o conheci Delegado de Turismo. Tivemos longas conversas sobre a relação dessa área com Relações Públicas e vice e versa. Analisamos uma série de questões sobre como Relações Públicas pode contribuir, não apenas para valorizar essa atividade, mas, especialmente, como ela pode agregar valor e tornar o Turismo muito mais eficiente no seu papel receptivo de realizar sonhos, proporcionar prazer, entretenimento e descanso.

Há muito tempo vinha querendo falar de seu excelente trabalho e agora, que estamos no início das férias de final de ano, encontrei o momento certo para isso.

Vamos verificar quem é esse profissional de Relações Públicas que se tornou um excelente coordenador de Turismo e muito respeitado pelas principais autoridades do Estado de São Paulo e dos principais municípios do Vale do Paraíba.

Hoje ele nos deu essa honra e o universorp.net traz a entrevista na íntegra para você. Confira.


Quando e porque você decidiu estudar Relações Públicas?
Eu estava no terceiro ano de direito na Faculdade de São José dos Campos quando o prefeito Brigadeiro Sérgio Sobral me chamou para trabalhar na assessoria de comunicação. Ele me incentivou estudar Relações Públicas, mostrando-me o exemplo dos profissionais da Aeronáutica. Como logo no início simpatizei com a área, fui fazer Relações Públicas na faculdade de Mogi das Cruzes, adiando a formação em direito, que nunca completei.


Você tinha alguma preferência de carreira?
Como filho de mineiro representante comercial, nasci com o tino de vendedor. Num primeiro momento, a profissão estava me levando para "contato comercial", ou seja, trabalhar como vendedor. O direito sempre me seduziu, mas o interessante para mim era a área de comunicação social que abracei no bacharelado em Relações Públicas.


Você já atuava nessa área?
Indiretamente sim. Havia trabalhado no Departamento de Relações Humanas no INPE - Instituto de Pesquisas Espaciais, cuidando do relacionamento interno. Lá não havia RP, então o RH acumulava as duas funções. Como sempre gostei de escrever e tinha um bom texto fui trabalhar no Jornal Agora (de São José dos Campos) como repórter esportivo. E na Prefeitura era assistente para relacionamento com público externo, encarregado de relações com imprensa, com entidades e agenda pública do prefeito.


Você já passou por outras áreas, quais?
Já passei por muitas áreas, mas todas relacionadas com Relações Públicas. Por volta de 1979 tive que completar estágio para formação profissional e fui trabalhar na General Motors, com o Romeu, o Raul Lages e o Pedro Luis, que agora é diretor da empresa. Depois dessa experiência voltei para a prefeitura para assessorar o prefeito Hélio Augusto na comunicação social. No governo paulista, por exemplo, trabalhei na subchefia da Casa Civil, aprendendo com o Carlos Kendi a cuidar de cerimonial, outra área apaixonante. Nesse tempo, fiquei encarregado de muitas cerimônias realizadas em vários lugares, nos quais trabalhei posteriormente, como a própria Prefeitura de São José dos Campos. Em 1986 montei minha própria empresa de comunicação integrada. Para fazer isso, fui procurar minha grande amiga e ídolo, a Vera Giangrande, pedindo a ela que me desse alguma orientação para montar a agência. Ela se interessou tanto que escreveu, a lápis em folhas de papel, todos os procedimentos para se abrir uma empresa e colocar em pratica uma agência de Relações Públicas. Nunca mais me separei desses papéis escritos por ela.


Como você se tornou Delegado de Turismo?
O Coronel José Vicente da Silva, então comandante do Comando de Policiamento de Área 1 do Interior, no Vale do Paraíba, foi encarregado a fazer a "integração das polícias paulistas", num projeto do Mário Covas. Ele me pediu para ajudá-lo no processo de comunicação a fim de tornar possível a união entre as polícias Militar e Civil. Preparamos um plano e o piloto foi aplicado com sucesso em dois comandos do interior. Com o bom trabalho apresentado, considerando minha formação profissional e o fato de ser natural de Campos do Jordão, fui indicado pelo coronel José Vicente para nomeação ao cargo de Delegado de Turismo do Vale do Paraíba. Aceitei e aproveitei para celebrar o que acho ter sido uma justa homenagem a meu pai, que, juntamente com outra senhora, chamada Malu Donato, foi pioneiro como cicerone (guia de turismo) naquela cidade. Aprendi com ele a ser curioso e vivia fazendo planejamento com ações de sensibilização de comunidades e exercícios de aperfeiçoamento de "potenciais" de turismo a serem aprimorados e transformados em vocação. Daí até a especialização em turismo o passo foi mais rápido do que eu esperava.


Você foi secretário após ter assumido a delegacia de turismo?
Sim, durante os primeiros anos como delegado de turismo. O prefeito de Campos do Jordão havia assumido uma administração com problemas administrativos ligados à Secretaria de Turismo do Estado. Ele tinha que cumprir promessa de campanha e procurava um profissional para colocar na secretaria de turismo, mas não era fácil encontrar alguém numa cidade modesta e cheia de problemas como era Campos de Jordão, naquela época. Ele assumiu o cargo para si e pediu ajuda ao então secretário, que determinou minha ida a Campos do Jordão para auxiliar o prefeito. Como resultado, fiquei mais de um ano e meio ocupando a Secretaria de Turismo de Campos do Jordão e, diga-se de passagem, sem acumular qualquer vencimento, pois continuava com minhas funções como Delegado Regional.


Como foi sua experiência como Secretário de Turismo de Campos de Jordão?
Foi uma experiência fantástica, envolvente e muito rica profissionalmente. O secretário de turismo numa cidade como Campos de Jordão toma dimensões de super-secretário e assume muito mais responsabilidades que o próprio cargo exige. Naquele tempo, até para fazer recapeamento de vias públicas o secretário de turismo tinha que ser consultado e autorizar o serviço. Existia uma razão para isso, pois qualquer alteração no cotidiano da cidade poderia influenciar o resultado de alguma atividade turística e influir na imagem institucional do município. Durante esse período, aprendi muito no relacionamento com o trade turístico e acumulei muita experiência para desenvolver atividades que ainda hoje desempenho como planejador de turismo na região.

Quanto tempo ficou no cargo e quais eram suas principais preocupações?
Fiquei pouco mais de um ano e meio. Minha preocupação pessoal, baseada na experiência como profissional de Relações Públicas, sempre foi com a imagem institucional do destino turístico e com a integração com outros municípios, uma vez que percebi mudanças na preferência do turista jordanense que cada dia mais procurava um turismo exclusivo e de harmonia com a natureza. O maior esforço não era o de atrair o maior número de turistas possíveis, mas aprimorar a qualidade do serviço, de recepção e atendimento ao turista para manter elevado o padrão do turismo que aquela comunidade oferecia.

Posso afirmar, sem medo de cometer injustiças, que muitos na comunidade não estavam e ainda hoje não estão preparados para recepcionar turismo com qualidade. A visão primária, completamente errada e injustificada, é o espírito de explorar financeiramente o turista num pequeno espaço de tempo, como é o de uma temporada. E isso é um crime para qualquer cidade que precisa sobreviver dessa atividade. Esse foi um dos maiores desafios que enfrentei, pois precisava criar conceitos fortes na comunidade residente para sensibilizar e desenvolver a percepção de que era preciso recepcionar os visitantes com uma visão muito além de uma única temporada.

Para ilustrar esse fato, uso sempre a imagem do caboclo valeparaibano, criado por Monteiro Lobato e reconhecido nacionalmente como Jeca Tatu. Na fábula, o personagem era aquele preguiçoso, doente de amarelão, pés descalços, mas sujeito muito esperto e que cuidava devagar da lavoura. Como sabia que a terra era boa, ele colocava alguma plantinha na cova e ficava sentado nos calcanhares, mascando folha de fumo e coçando o bicho de pé até a hora da colheita. Ele nada fazia para melhorar sua condição. Apenas esperava a próxima colheita.

Assim são algumas comunidades que trabalham com o turismo, seja no litoral, em balneários que dependem da sazonalidade ou de regiões serranas. Essa visão míope de explorar o turista, nada contribui para melhorar o turismo de uma região nem para melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos. Infelizmente, todos sabem que virá a próxima temporada e com ela um grande número de turistas. Então eles se sentam nos calcanhares e esperam a temporada chegar.

Nosso desafio como Profissional de Relações Públicas atuando nessa área, é criar condições para garantir produtos turísticos eficientes, receptivos de qualidade e atrações turísticas atualizadas ao gosto do cliente que não se submete à temporalidade. Tornar as regiões turísticas em destinos turísticos atraentes e permanentes, abertos no ano inteiro.

A região do Cone Leste Paulista, onde sou delegado de turismo, está dividida em cinco circuitos turísticos diferentes com propostas de segmentos variados, que vão desde o religioso ao esportivo, do balneário (de praia) até o de montanha e cultural. Cada um desses circuitos reúne cidades com vocações semelhantes e optam pela divulgação de atrativos que permitam ao cliente permanecer pelo menos mais um dia na região. Para isso, exigem processos de Relações Públicas que passam pelo esclarecimento da população, sensibilização para a importância do turismo e mobilização para acolher o visitante e convencê-lo a ficar, para depois de sua partida, voltar e recomendar aos amigos. É com esse espírito que se faz turismo eficiente, ofertando produtos inteligentes e adequados a todos os interesses dos visitantes que vão e vêm.


Qual a importância de RP nessa área?
Os processos de comunicação por meio de Relações Públicas são responsáveis pela criação de conceitos fortes que contribuem para envolvimento das populações nas atividades inerentes ao turismo. São formas de sensibilizar e promover mobilização coletiva para tornar o destino atraente e atualizado. Com o aprimoramento de meios rápidos de comunicação, o diferencial não está mais somente na paisagem bonita, mas também na abordagem do melhor conforto e atendimento oferecido ao visitante. Por isso, a comunidade precisa ser despertada para a importância do processo de acolhimento de pessoas que carregam consigo sonhos de férias, passeios, lazer e descanso. E isso requer muito mais que somente belos lugares expostos em sites. Requer criar sensibilidade para fazer o turista sentir o calor humano e a atenção de ser bem recebido.


Essa área é receptiva a RP? Qual o potencial de turismo para RP no Brasil?
Os profissionais de turismo se consideram auto-suficientes para desempenhar suas atividades, por isso não reconhecem que muitas delas poderiam ser melhor desenvolvidas com a visão de Relações Públicas. Já as comunidades estão sempre sedentas de ações para aprimoramento de receptivo, e abertas a processos de sensibilização e mobilização, que podem e devem ser idênticos aos que aplicamos em comunidades sociais em atividades empresariais. Existem muitas oportunidades que vão desde a formulação de conceitos básicos para identificação de destinos turísticos, até determinação de políticas de comunicação para criação e fixação de imagem e de marcas empresariais e públicas. No setor público existe a possibilidade para o planejamento estratégico de Relações Públicas em Planos Diretores de Comunicação de municípios e regiões brasileiras.

 

Há necessidade de fazer alguma pós para um RP ingressar nessa área?
Há necessidade de conhecer a linguagem própria da área de turismo, mas isso não requer pós-graduação específica, porém se preparar para isso é sempre importante. Hoje as escolas de hotelaria e turismo oferecem cursos de pós-graduação que complementam a formação de profissionais interessados. Uma boa dica são os cursos direcionados à profissionalização da gestão pública e gerência de cidades, que são uma boa opção para a formação complementar de Relações Públicas. Devemos estar sempre atentos às oportunidades de aperfeiçoamentos nessa área, pois há uma demanda crescente e o potencial de turismo no Brasil é muito grande.


Deixe uma mensagem final para todos os profissionais.
Agradeço pela deferência e oportunidade de falar um pouco do meu trabalho para os colegas profissionais. Espero que essas informações tenham sido úteis para direcionar novos planos de ação e de carreiras profissionais. Minha mensagem final é de que a jornada do turismo necessita de planejamento adequado de Relações Públicas para tornar sonhos de viagens em realidades concretas e confortáveis e essa é a maior e incessante busca dos visitantes de turismo.

 

 

Quem quiser trocar informações com o Paulo de Tarso pode enviar mensagem para o endereço cointer@directnet.com.br . Ele está aguardando seu contato.


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