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Relações Públicas também faz parte do jeitinho brasileiro.

Postado em: 04/11/2008 por Flávio Schmidt

Tenho um amigo que é adepto ao Zen Budismo. Ele segue a filosofia dos monges tibetanos. É um cara tranqüilo e pacífico como todos os integrantes dessa seita. Ele afirma que faz “viagem astral” e que isso é uma prática de libertação e equilíbrio imprescindíveis para o ser humano. Ele descreve suas viagens com tamanha riqueza de detalhes e com tanto entusiasmo que ficamos extasiados e acabamos viajando com ele.

Depois, durante minhas reflexões, fico pensando se ele fala a verdade ou se é apenas fruto de uma imaginação livre e criativa. Se os lugares que ele visita são reais ou se são apenas resultado de sua imaginação. Bem, ele afirma que é verdade e eu acredito nele. Não tenho como avaliar, apenas acredito, pois se trata de uma pessoa de incrível qualidade pessoal.

Essa pequena história do meu amigo nos remete a uma reflexão sobre o universo de Relações Públicas. E a primeira pergunta a fazer é: quantos profissionais você conhece que faz esse tipo de viagem?

Não sabe dizer? Bem, eu me lembro que uma vez, durante o período em que Relações Públicas travava um embate com a Propaganda, um profissional me disse que estava na área de “no advertising”.

Não sabia o que era aquilo, então fui até ele e, humildemente, perguntei do que se tratava. Ele me respondeu que era toda comunicação fora da propaganda. Insisti para saber detalhes e ele disse que era uma tendência irreversível, por isso estava se especializando nessa nova e promissora área. Durante muito tempo fiquei com aquilo incomodando minha mente. Passei a prestar atenção em tudo o que era “no advertising” para ver se aprendia um pouco mais sobre minha profissão. Até que, aos poucos, fui esquecendo aquela história maluca.

Já nem me lembrava mais, mas hoje, durante uma reunião, ouvi uma frase que me chamou a atenção. Alguém disse no meio de uma fala: sou especializado em “no media”. Dessa vez, como já tenho experiência anterior, fingi que não ouvi e deixei a conversa terminar.

Acho que “no media” deve ser toda comunicação “no advertising” menos assessoria de imprensa. Quer dizer, toda comunicação fora da propaganda e fora da assessoria de imprensa.

Acho que agora vocês podem imaginar que o meu amigo, que faz viagem astral, pode estar falando a verdade, não é mesmo?

Não existe nada de errado com Relações Públicas, apenas estamos exercitando a viagem astral e a imaginação desenfreada. Analisando esse contexto, depreendemos que nossa atividade é tratada como qualquer outro assunto, ou seja, do jeito brasileiro. Como somos ecléticos, versáteis e criativos (sem vulgarizar o jeitinho brasileiro), as Relações Públicas também fazem parte desse estilo. Não é que ela seja diferente, é exatamente igual ou ainda melhor do que no resto do mundo. O que a difere dos outros lugares não é sua fundamentação, nem seu conceito próprio, é o modo como ela é entendida, interpretada e tratada aqui.

Durante os últimos trinta anos muitas formas foram dadas a ela, que partiu do porteiro de boate, do representante comercial, do promoter, dos organizadores de eventos e das recepcionistas de visitas empresariais para, com a globalização, dar um salto para a assessoria de imprensa.

Profissionais de outras áreas, por força das mudanças de mercado, passaram a desenvolver uma série de atividades próprias de Relações Públicas. Esse processo levou profissionais de marketing, publicitários e jornalistas, advogados, economistas e recursos humanos a também incluírem Relações Públicas em suas atividades, dentro das empresas, nas agências e em iniciativas empreendedoras. Mesmo quem não sabia nada sobre o assunto, mas vislumbrava uma oportunidade de ganhar dinheiro, passou a valorizar Relações Públicas como ferramenta estratégica de comunicação.

Porém, ainda que mais valorizada, a face conhecida e tratada é somente a parte visível e concreta, a ponta do iceberg. A que se pode ver, trabalhar e manipular. A parte de ações de comunicação. E é nessa esfera que vale tudo, que prevalece a imaginação e as viagens incríveis.

Voltemos ao jeitinho brasileiro (com todo respeito) e como ele se comporta. Nós somos o país da acomodação dos valores. Aqui, o povo continua admirando o Maluf por sua sagacidade de comunicação nos debates e ele continua reafirmando sua presença como o político com a maior quantidade de obras em São Paulo. O presidente Lula ostenta o maior índice de popularidade de todos os tempos mesmo depois de todos os escândalos de seu governo e o José Dirceu é chamado para dar consultoria e entrevistas em programas de rádio e televisão.

Por falar nisso, você já observou como o jeitinho brasileiro tratou a pizza em nosso país? Fomos muito criativos, inventamos a pizza de escarola, de espinafre, de rúcula, de berinjela e de abacaxi. Fomos tão criativos que até criamos tema e música para exaltar que aqui tudo acaba em pizza. E continuamos felizes.

Agora vocês acreditam, como eu, que o meu amigo, que faz viagem astral, está falando a verdade, não é?

Falando sério, não acredite em ninguém que não consegue fundamentar e justificar porque faz alguma coisa. Em Relações Públicas tudo tem um fundamento.

Sua concepção é profundamente ampla e completa, envolve em seu conceito técnico-científico as vertentes do relacionamento humano, psico-social, subjetivo. É uma função administrativa e organizacional com forte viés político e se projeta, ao final, por uma função de comunicação.

Ela existe para criar imagem positiva harmonizando conflitos, satisfazendo necessidades e interesses mútuos. É essencialmente conciliadora, mas para alcançar esse resultado, exige a correção das posturas e atitudes erradas de ambos os lados e não admite simplesmente destacar as belezas e talentos de um ou de outro, porque sabe que dessa forma, o resultado é inconsistente e efêmero como o “no advertising” e o “no media”.
 


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